terça-feira, 24 de novembro de 2009

Génesis 29 - Jacob continua a zelar pelos seus interesses

E fez-se Jacob à estrada. Caminhou durante dias, primeiro para oriente, depois para ocidente para buscar a carteira esquecida e depois para oriente de novo.

E chegou até um poço.

Junto ao poço estavam três rebanhos de ovelhas, deitadas, pois era daquele poço que bebiam, estando um grande pedra sobre ele para que lá dentro não caíssem.

E disse-lhes Jacob:
- Meus irmãos, de onde sois?
- Somos de Harãa.

Jacob sobressaltou-se pois não tinha reparado que para além das ovelhas também havia pastores. Ficou muito contente.

- Conheceis Labão, filho de Naor?
- Conhecemos.
- E ele está bem?
- Ele está bem. Eis aqui sua filha Raquel, que vem com as ovelhas.

Jacob, que era um querido mas se havia uma coisa que não tolerava era pessoas a fazer ronha, falou para que todos ouvissem:

- Mas está tudo sentado porquê? Ainda é dia! Ajuntai o gajo, dai-lhe de beber e ide apascentá-lo!
- Apasquê?! - perguntou um pastor confuso, meio ensonado.
- Apasche... ai!... apech... apascentá-lo, caraças!
- Que é lá isso, amigo?
- Ide pastá-lo, caramba!
- Ahhhhh! Não podemos até que todos os rebanhos se ajuntem e removam a pedra do poço.
- Estais sinceramente à espera que as ovelhas removam a pedra para poderem beber?
- Eu cá sou pastor, não tenho nada que carregar calhaus.

E Raquel chegou, pois era pastora (andava com ovelhas e era pastora, vejam bem!). E vendo-a chegar, Jacob encolheu a barriga, pôs o peito para fora e removeu a pedra do poço para que as ovelhas pudessem beber. Depois, ignorando o mau jeito no ombro esquerdo, correu para a moça e beijou-a, chorando de seguida, resultado do valente murro que a pastora lhe aplicou no ombro dorido. Para disfarçar, Jacob anunciou:

- Sou irmão de teu pai, filho de Rebeca. - e Raquel saiu a correr para fazer queixinhas ao pai.

Ao ouvir as novas, Labão correu ao encontro de Jacob e abraçou-o, apalpou-o e beijou-o durante longos minutos. De seguida levo-o para casa e tê-lo-ia levado para o seu quarto não tivesse Raquel feito o seu olhar intimidador.

- Fica comigo um mês inteiro. - disse Labão.

E Jacob ficou. E ao fim de um mês inteiro de estágio, Labão disse:

- Porque trabalharás de graça, mesmo sendo meu osso e minha carne? Diz o teu salário.

Labão tinha duas filhas. A mais velha era Lia e a mais nova não era Lia. Lia tinha os olhos tenros e negros como os das ovelhas mas era feia como tudo. Raquel era era formosa ao toque e à vista. E Jacob, que amava Raquel desde que a vira tomar banho no poço das ovelhas, disse a Labão:

- Sete anos te servirei por tua filha menor, Raquel.

Labão, a quem a ideia de ser servido por um homem durante sete anos agradava muito, respondeu com um sorriso lascivo:

- Antes para ti, que és personagem bíblica, que para um dos pastores que nem nome têm.

E Jacob serviu Labão durante sete anos. E ao fim de sete anos, que pareceram poucos, disse Jacob a Labão:

- Os meus dias são cumpridos e tu és um porco. Dá-me a minha mulher para que case com ela.

Então Labão reuniu todos os homens daquele lugar e fez uma orgia. E à tarde agarrou em Lia e levou-a a Jacob, que, estando já bêbado, a possuiu. E deu Zilba a Lia, como sua serva.

Pela manhã, acordando com uma dor de cabeça do tamanho dos punhos de Raquel, viu Jacob que a mulher deitada a seu lado era Lia e gritou de susto. Procurou Labão e pediu-lhe explicações:

- Porque me fizeste tal coisa? Não te tenho satisfeito por Raquel? Por que me enganaste?
- Não é assim que as coisas funcionam. Antes de dar a mais nova tenho de dar a mais velha. Não quero problemas com as autoridades. Agora tens de ficar com ela uma semana.

Jacob, que afinal de contas era esperto e prático, não viu mal nenhum na mudança dos termos do contrato, achou que era perfeitamente legítimo servir Labão durante mais 1 semana. Por isso cumpriu a semana de Lia e ao fim de uma semana teve Raquel.

E Labão deu Bila por serva a Raquel.

Mas Raquel era estéril. E o SENHOR, que era um coração mole e conhecido por visitar mulheres no seu leito, teve pena de Lia, mas não de Raquel, e abriu sua madre (seja lá o que for que isto signifique).

E concebeu Lia e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben, e disse: Porque o SENHOR atendeu à minha aflição e por isso me amará agora o meu marido, que ficaria chateado se eu engravidasse de outro homem mas jamais levantará seus punhos contra o SENHOR!

E concebeu outra vez e deu à luz um filho. E disse: O SENHOR viu que eu era desprezada e deu-me também este filho. - e chamou-lhe Simão.

E concebeu outra vez e deu à luz outro filho. E disse: É desta que o meu marido se junta a mim, agora que lhe dei três filhos do SENHOR. - e chamou-o de Levi.

E concebeu outra vez e deu à luz outro filho, dizendo: SENHOR, é melhor pararmos que o meu marido anda desconfiado.

Por isso chamou-o de Judá e cessou de dar à luz.

4 comentários:

camponesa pragmática disse...

ahahahaa SENHOR, é melhor pararmos que o meu marido anda desconfiado.
B')

carlopod disse...

as coisas que a gente aprende com isto! andamos todos aqui a venerar Jesus como O filho do SENHOR e afinal também há o Rúben, o Simão, o Levi e mais uma catrefa deles.
e aposto que todos concebidos sem pecado, querem ver?

camponesa pragmática disse...

pelo contrário. os santinhos do antigo testamento eram todos concebidos na promiscuidade.
a menos que se entenda que o sexo com as escravas das (várias) esposas tinha fins meramente reprodutivos e era, portanto, abençoado.

dcc disse...

Não vejo mal nenhum em praticar-se o amor para fins reprodutivos.